ANVISA RECOLHE PRODUTOS YPÊ – A decisão da Anvisa de suspender e recolher detergentes, sabão líquido e desinfetantes da marca Ypê, de todos os lotes terminados em número 1, expôs um choque entre regulação sanitária e defesa empresarial. A agência apontou falhas nas Boas Práticas de Fabricação e risco de contaminação microbiológica, determinando a paralisação da produção e da comercialização. A medida foi publicada na Resolução RE nº 1.834/2026 e pode gerar sanções que vão de multas à interdição da fábrica em Amparo (SP).
A Ypê reagiu com firmeza. Em nota à CNN Brasil, a empresa afirmou que “possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”. A companhia disse confiar na reversão da decisão e reforçou seu compromisso com qualidade e transparência.
O caso mobilizou órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária, como o CVS-SP e a Visa-Amparo, que participaram da inspeção. A Anvisa recomendou que consumidores verifiquem os lotes e evitem uso dos produtos afetados, preservando as embalagens para eventual troca ou reembolso. Em caso de reação adversa, a orientação é procurar atendimento médico e comunicar às autoridades.
A repercussão jurídica também preocupa. A RDC nº 47/2013 prevê que o descumprimento das normas constitui infração sanitária, sujeita a responsabilidades civil, administrativa e penal. Entre as punições possíveis estão advertência, apreensão de mercadorias e até cancelamento de registro dos produtos. O episódio reacende o debate sobre fiscalização e segurança em um setor que lida diretamente com itens de uso doméstico.
Enquanto consumidores aguardam esclarecimentos, o mercado observa os desdobramentos. A Ypê, uma das líderes nacionais em saneantes, tenta preservar sua imagem e confiança junto ao público. Já a Anvisa reforça que a medida é preventiva e necessária para garantir segurança sanitária. O impasse mostra como a regulação pode impactar grandes marcas e como a resposta empresarial se torna decisiva para mitigar danos de reputação. Fonte: Anvisa/CNN Brasil.
POLÍTICA DE MINERAIS CRÍTICOS AVANÇA – A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com foco em terras raras. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) celebrou como avanço para atrair investimentos, enquanto a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) criticou a pressa e a falta de debate com cidades afetadas. O texto prevê incentivos fiscais e o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, de até R$ 5 bilhões. Especialistas como Bruno Milanez, da UFJF, alertam para a fragilidade da Agência Nacional de Mineração na fiscalização. O projeto segue agora para o Senado. (Agência Câmara)
RECOMPENSAS CONTRA FRIGORÍFICOS NOS EUA – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que pagará recompensas a quem fornecer informações sobre práticas abusivas de grandes frigoríficos, incluindo JBS e Marfrig. A medida foi solicitada por Donald Trump, que acusou as empresas de manipulação de preços. “Queremos garantir que o mercado funcione de forma justa”, disse um porta-voz da pasta. O programa prevê pagamentos de até 30% das multas aplicadas, caso ultrapassem US$ 1 milhão. A escassez de gado, no menor nível em 75 anos, elevou preços e acirrou tensões entre produtores e companhias. Fonte: Departamento de Justiça dos EUA.
BRADESCO VÊ RENDA COMO RISCO – O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou ao CNN Money que o principal fator por trás da inadimplência não é o nível de endividamento, mas o comprometimento da renda dos clientes. “A gente olha muito para o nível de endividamento, mas olhamos principalmente para o comprometimento de renda”, disse. Noronha destacou que dívidas de longo prazo, como crédito imobiliário e consignado, têm menor risco, enquanto modalidades sem garantia exigem maior seletividade. O executivo também citou o avanço do programa Desenrola 2.0, com 18 mil adesões, e alertou para os efeitos dos juros altos sobre empresas mais alavancadas. (CNN Money)
TAXA DAS BLUSINHAS EM DEBATE – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo discute a possibilidade de extinguir a cobrança de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da Secom e da EBC, Durigan disse que “há ministros que defendem que se reveja” a medida, mas garantiu que não abre mão do programa Remessa Conforme, que ampliou o controle sobre importações de baixo valor. A taxa, em vigor desde agosto de 2024, arrecadou R$ 5 bilhões em 2025 e segue dividindo opiniões entre consumidores e setores da indústria.
BANCOS PRIVADOS SENTEM PRESSÃO – Os balanços do 1º trimestre mostraram que Itaú, Bradesco e Santander seguem altamente lucrativos, mas já operam em cenário mais difícil. Juntos, somaram R$ 22,9 bilhões de lucro líquido, alta de 9,7% sobre 2025. O Itaú liderou com ROE de 24,8%, mas admitiu que o ambiente está “pior”, segundo Milton Maluhy Filho. O Bradesco lucrou R$ 6,81 bilhões, com inadimplência em 4,2% e custo de risco maior. O Santander foi o mais afetado, com queda de 2% no lucro e ROE em 16%. A Selic elevada e a desaceleração do crédito colocam o setor em modo defensivo. (CNN)
GREVE ESTUDANTIL NAS UNIVERSIDADES – Estudantes da USP, Unicamp e Unesp iniciaram greve por melhorias na permanência estudantil, como aumento de bolsas e manutenção das moradias. Na USP, cerca de 100 alunos ocuparam a reitoria no campus do Butantã, denunciando problemas no CRUSP, como infiltrações e falhas no gás. Na Unesp, alunos do Instituto de Artes exigem serviços básicos noturnos, enquanto na Unicamp o diálogo segue aberto. O reitor da USP lamentou danos ao patrimônio e acionou forças de segurança; a Unesp levará o tema ao Conselho de Reitores; e a Unicamp afirmou priorizar políticas de permanência. (G1)
AGI REDUZ LUCRO MAS GANHA CLIENTES – O banco digital Agi registrou lucro líquido de R$ 186,5 milhões no 1º trimestre, queda de 47,7% frente a 2025, apesar de alta de 23,6% na receita. O presidente Marciano Testa afirmou que “nosso negócio demonstrou uma trajetória clara de recuperação” após disrupções no ano passado. A instituição encerrou março com 7 milhões de clientes ativos, avanço de 52,6% em um ano, e carteira de crédito bruta de R$ 35,5 bilhões, crescimento de 30,3%. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,6%. (CNN)
BRUNO PRESO NO RIO – O goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo homicídio da modelo Eliza Samudio, foi preso em São Pedro da Aldeia (RJ) após dois meses foragido. A Vara de Execuções Penais havia expedido mandado em março, alegando descumprimento das regras do regime semiaberto. Bruno viajou sem autorização para jogar pelo Vasco-AC e não retornou quando determinado. O Ministério Público do Rio apontou ainda que ele deixou de atualizar endereço por três anos, não respeitou horários de recolhimento e frequentou locais proibidos, como o Maracanã. (G1)
LULA PROPÕE PRAZO AOS EUA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sugeriu a Donald Trump um prazo de 30 dias para que equipes técnicas do Brasil e dos EUA avancem nas negociações sobre tarifas. “Vamos dar 30 dias para esses companheiros resolverem o problema”, disse Lula após encontro na Casa Branca. Uma fonte do governo brasileiro ressaltou que o prazo não significa recuo definitivo dos EUA e pode ser prorrogado, mas novas taxas podem ser anunciadas a qualquer momento. O representante comercial Jamieson Greer adotou postura dura, evocando práticas desleais do Brasil. Após decisão da Suprema Corte que derrubou parte das tarifas da IEEPA, Washington avalia usar a Seção 301 da Lei do Comércio de 1974 para impor novas medidas. (CNN)
MANETONI ENTRA EM NOVO CICLO – A aquisição da Manetoni por um fundo estratégico marca uma virada no setor industrial, com foco em eficiência, governança e inteligência financeira. Em 2025, o grupo faturou R$ 2,289 bilhões, consolidando-se entre os principais players. Agora, o desafio é escalar com competitividade em um ambiente de margens pressionadas. A consultoria RZ3 apoia a empresa na revisão de processos e fortalecimento da estrutura financeira. Segundo Junior Rozante, CEO da RZ3, “os investidores estratégicos mais preparados já não analisam apenas os resultados do presente, mas a capacidade de adaptação e eficiência para os próximos 20 ou 30 anos”. Ele destaca que o diferencial competitivo está na gestão inteligente, integração tecnológica e previsibilidade. A RZ3 avalia que automação, supply chain resiliente e governança executiva serão decisivos nos próximos ciclos industriais.
ULTRAPAR MANTÉM FORÇA NO 1T26 – A Ultrapar registrou lucro líquido de R$ 914 milhões no primeiro trimestre de 2026, com EBITDA ajustado recorrente de R$ 2,3 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela Ipiranga, que cresceu 8% em volume de vendas, e pela consolidação da Hidrovias do Brasil. A Ultragaz teve EBITDA de R$ 385 milhões, refletindo custos maiores do GLP, enquanto a Ultracargo somou R$ 165 milhões, apoiada pela expansão de capacidade. Já a Hidrovias enfrentou desafios operacionais, com EBITDA de R$ 182 milhões. A holding encerrou o período com geração de caixa de R$ 1,1 bilhão e alavancagem em 1,5x dívida líquida/EBITDA.
STILL E DEMATIC NA FEIND 2026 – A KION South America confirmou presença na Feira das Indústrias de Indaiatuba (19 a 21 de maio), levando soluções em intralogística e automação. A STILL apresentará a nova transpaleteira elétrica ERX 27 e o sistema patenteado SLC-A, voltado à segurança em operações com empilhadeiras. Já a Dematic destacará o Sistema de Identificação de Código com Inteligência Artificial, que aumenta a precisão na leitura de caixas em esteiras automatizadas. “A FEIND é um espaço importante para mostrar como nossas tecnologias apoiam a evolução das operações logísticas”, afirmou Murilo Marin, gerente nacional de Vendas da KION South America.
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