O mercado de trigo na Região Sul do Brasil enfrenta um momento de baixa liquidez e negociações pontuais, influenciado principalmente pelos elevados custos logísticos e pela oferta limitada do produto. No Rio Grande do Sul, a colheita da soja tem desviado a atenção dos produtores, enquanto os moinhos evitam compras diante dos altos custos de frete. "Os preços no interior variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada, com vendedores pedindo até R$ 1.350, o que dificulta novos fechamentos", destaca a TF Agroeconômica.
Em Santa Catarina, o abastecimento depende majoritariamente do trigo gaúcho, acrescido de frete e ICMS, além da produção local, com preços em torno de R$ 1.300 CIF e oferta reduzida. No Paraná, as negociações giram em torno de R$ 1.350 CIF, mas vendedores pedem até R$ 1.400, sem sucesso nos fechamentos. Compradores relatam dificuldade para repassar os custos, limitando o avanço das negociações.
A pressão sobre os preços também vem do trigo paraguaio, ofertado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa, enquanto o trigo argentino permanece ausente do mercado. No cenário internacional, o mercado de Chicago registrou forte queda nos contratos futuros, refletindo uma oferta global considerada suficiente e a forte competitividade entre exportadores.
Os contratos futuros de trigo para maio, julho e setembro de 2026 abriram com recuos de 16 pontos, negociados a US$ 5,81, US$ 5,91 e US$ 6,05 por bushel, respectivamente. Segundo a Safras & Mercado, "o mercado segue inserido em um ambiente de incerteza, no qual oferta global, condições climáticas e demanda internacional continuam sendo determinantes para a formação dos preços".
No Brasil, a cautela predomina, com moinhos relativamente abastecidos no curto prazo e produtores retraídos, que acompanham a queda internacional e o comportamento do câmbio antes de fechar novos negócios. Esse cenário mantém a liquidez limitada e exige atenção dos agentes do setor, já que o mercado segue altamente sensível a mudanças no equilíbrio entre oferta e demanda.
A tendência para o curto prazo é de manutenção da volatilidade, com os preços reagindo rapidamente a fatores como movimentação dos fundos, variações cambiais e novas projeções de oferta global. "A combinação de custos logísticos elevados, baixa disponibilidade interna e pressão externa nas cotações reforça um momento delicado para o mercado de trigo", conclui a análise.
Fontes: TF Agroeconômica, Safras & Mercado