A expansão da indústria de alimentos no Brasil, que movimentou R$ 1,388 trilhão em 2025, tem pressionado os sistemas de tratamento de efluentes industriais, especialmente devido à elevada carga orgânica de resíduos provenientes de proteína animal, laticínios e bebidas. Muitas estações de tratamento de efluentes (ETEs) antigas operam próximas do limite, gerando uma “crise silenciosa” no setor, com risco de saturação e aumento de custos.
Segundo dados da Agência Nacional de Águas, mais de 110 mil quilômetros de rios brasileiros estão comprometidos pela carga orgânica excessiva, enquanto a Resolução CONAMA nº 430 impõe limites rigorosos para o lançamento de efluentes. “O principal desafio está na capacidade de fornecimento de oxigênio para os processos biológicos, que é fundamental para a degradação da matéria orgânica”, explica a Dra. Paula Vilela, diretora técnica da ChartWater na América do Sul.
Para enfrentar essa limitação, cresce o interesse pela tecnologia SDOX® (Supersaturated Dissolved Oxygen), desenvolvida pela ChartWater, que injeta oxigênio dissolvido em níveis supersaturados nos reatores biológicos. “Ao aumentar a disponibilidade de oxigênio, intensificamos o metabolismo microbiano, elevando a eficiência do tratamento sem necessidade de expansão física das estações”, afirma Paula Vilela.
Além da eficiência operacional, o SDOX® traz ganhos energéticos significativos. Em comparação com sistemas convencionais de aeração, a tecnologia pode reduzir o consumo de energia em até 75%, como demonstrado em unidades da Tyson Foods nos Estados Unidos, que economizaram mais de US$ 646 mil por ano. Outro caso, da Mountaire Farms, mostrou remoção quase total de amônia e adiamento de um investimento de US$ 38 milhões em nova estação.
O setor vê na modernização tecnológica uma saída para os desafios atuais. “Eficiência no tratamento de efluentes deixou de ser apenas uma questão ambiental. Hoje ela também faz parte da estratégia de competitividade da indústria”, destaca Paula Vilela. Ela ressalta ainda que processos mais eficientes contribuem para a sustentabilidade financeira, reputacional e ambiental das empresas.
Com a crescente demanda e os limites das estações antigas, soluções como o SDOX® ganham espaço no Brasil, oferecendo uma alternativa para ampliar a capacidade de tratamento, reduzir custos e minimizar impactos ambientais sem a necessidade de grandes obras ou investimentos estruturais. O futuro do tratamento de efluentes industriais passa pela inovação aliada à sustentabilidade.