Lula veta reconhecimento do estágio como experiência profissional
Medida dificulta comprovação de experiência para estudantes e gera questionamentos sobre o silêncio dos sindicatos ligados à CUT
Por PORTAL MEGAVAREJO
Publicado em 19/05/2026 13:11
Política
Agência Brasil/EBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto de lei que reconhecia o estágio como experiência profissional válida para concursos públicos, decisão que tem gerado críticas e preocupações, especialmente entre estudantes que dependem dessa comprovação para avançar no mercado de trabalho. O veto, publicado no Diário Oficial da União no dia 11 de maio, argumenta que o projeto desconsidera o caráter pedagógico do estágio e compromete a autonomia dos entes federativos ao centralizar a regulamentação no presidente da República. No entanto, essa medida pode dificultar ainda mais a vida dos estudantes que buscam seu primeiro emprego, pois o estágio é uma das poucas formas de adquirir experiência prática.

Para muitos jovens, o estágio é a principal porta de entrada no mercado de trabalho, permitindo o desenvolvimento de habilidades e o contato com o ambiente profissional. Ao não reconhecer esse período como experiência válida, o veto cria uma barreira adicional para esses estudantes, que já enfrentam dificuldades para comprovar experiência em concursos públicos e processos seletivos. Essa decisão pode desestimular a participação em estágios, prejudicando a formação prática e limitando as oportunidades de crescimento profissional para milhares de jovens em todo o país.

Além disso, a justificativa do governo de que a regulamentação do estágio como experiência profissional comprometeria a autonomia dos entes federativos e a independência dos Poderes levanta questionamentos sobre prioridades. Afinal, por que uma medida que visa facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho é vista como uma ameaça institucional? E mais: diante da importância do tema para a juventude e o futuro do país, chama atenção o silêncio dos sindicatos de trabalhadores ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que historicamente defendem os direitos dos trabalhadores. Por que esses sindicatos não se manifestaram contra o veto, que afeta diretamente a base jovem e estudantil?

Esse silêncio dos sindicatos ligados à CUT pode ser interpretado como uma falta de representatividade ou de alinhamento com as demandas dos estudantes e jovens trabalhadores. A ausência de posicionamento público diante de uma medida que dificulta o acesso à experiência profissional levanta dúvidas sobre o compromisso dessas entidades com a defesa dos direitos da juventude trabalhadora. Enquanto isso, os estudantes seguem enfrentando obstáculos para comprovar sua experiência, o que pode comprometer seu futuro profissional e o desenvolvimento do mercado de trabalho no Brasil.

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